Dilma, Lidice, Olívia. Três nomes, três mulheres, três exemplos. Às vezes penso que estou sonhando, pois, há um bom tempo não via tanta mulheres chegando ao poder, as três com sua historia de luta em seu partido, em sua base política. Dilma Nascida em família de classe média alta e educada de modo tradicional logo cedo , interessou-se pelos ideais socialistas, logo após o Golpe Militar de 1964. Iniciando na militância, passou para a luta armada contra o regime militar, integrando organizações como o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR Palmares). Passou quase três anos presa entre 1970 e 1972, primeiramente na Opan (onde passou por sessões de tortura) e depois no DOPS. ajudou na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e participou ativamente de diversas campanhas eleitorais. Exerceu o cargo de secretária municipal da Fazenda de Porto Alegre no governo Alceu Collares e mais tarde foi secretária estadual de Minas e Energia, tanto no governo de Alceu Collares como no de Olívio Dutra, no meio do qual se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 2001. Participou da equipe que formulou o plano de governo na área energética na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 2002, onde se destacou e foi indicada para titular do Ministério de Minas e Energia. Novamente reconhecida por seus méritos técnicos e gerenciais, foi nomeada ministra-chefe da Casa Civil devido ao escândalo do mensalão, crise que levou à renúncia do então ministro José Dirceu. Foi considerada pela Revista Época uma dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
Lidice, o nome quase já diz lider pois é isso que ela é. Primeira e única mulher à frente da Prefeitura de Salvador, a economista Lídice da Mata foi eleita em 1992 com o apoio de uma ampla coligação partidária. A sua administração foi marcada por realizações voltadas para o social, apesardo grande cerco econômico e de comunicação que enfrentou, comandado pelo grupo político que governava a Bahia na época. A sua carreira política teve início no movimento estudantil, como líder, quando ainda cursava economia, na Faculdade de Ciências Econômicas da UFBa. Destemida, teve intensa participação nas lutas populares pela anistia e contra a ditadura e na campanha das diretas já Como prefeita de Salvador, promoveu políticas sociais inovadoras e educativas, por meio de inúmeros projetos, destacando-se a "Fundação Cidade Mãe", premiado nacional e internacionalmente e um dos mais bem sucedidos programas de assistência a crianças e jovens desenvolvidos na Bahia.
Em 2006, com uma expressiva votação, Lídice voltou ao Congresso Nacional, eleita deputada federal pela Bahia, com 188.927 votos, sendo a mais bem votada na capital baiana. Na Câmara, teve destacada atuação na Comissão de Turismo e Desporto, como presidente, apresentando e votando importantes projetos para a fomentação do turismo no estado e no Brasil, a exemplo da Lei Geral do Turismo (LGT).
Olívia a negona da Bahia. O inicio da sua vida política se difere das outras porque. Olívia teve que aprender cedo a lidar com as dificuldades de qualquer criança que naseu pobre, sendo a terceira filha que sobreviveu das oito gestações de sua querida mãe que era uma empregada doméstica, deste cedo teve que olhar casa e os irmãos e toda sua infância foi de carência extrema mas, isso não deixou que deixasse de lutar, de sobreviver e sua história política começou aos 14 anos, quando teve que trabalhar como servente em uma escolinha particular. Esse foi o pontapé para a escolha de sua carreira academica. Se preparou para o ingresso na universidade com os módulos velhos da filha da dona da escola em que trabalhava como faxineira. Prestou vestibular sem ter feito cursinho e em 1987 Foi aprovada em Pedagogia na Universidade Federal da Bahia – UFBA foi ai que sua história sofreu a primeira grande mudança. Enquanto estudava Olívia foi Militante histórica das causas negras e até bem pouco tempo secretária Municipal de Educação de Salvador, Maria Olívia Santana - “A negona da cidade” - atualmente atua atualmente como vereadora (PC do B) e integra o Fórum das Mulheres Negras e o Conselho de Promoção da Igualdade Racial.
Exemplos como esses permitem dizer que vivemos um bom momento para as mulheres se afirmarem mais decisivamente na comunidade da politica nascional nacional. Mesmo assim, há um longo caminho de futuras conquistas, já que elas ainda são minorias, seja no poder do mundo político, do econômico ou mesmo do acadêmico.
Essas conquistas de espaço de poder como vejo como conseqüência de uma luta que vem de muito tempo, não só no Bahia ou no Brasil, mas no mundo todo, embora a participação feminina esteja muito aquém do que representamos no mundo. A mulher construiu um espaço importante na sociedade, seja como candidata, eleitora, no trabalho, na Ciência, nas artes ou em casa
Para ser parlamentar, é essencial que a mulher amplie seus espaços nas diversas instâncias sociais, pois "sem a conquista de poder, nossos direitos e, inclusive, a luta pela igualdade, contra a discriminação e contra o machismo, ficam limitados". É muito importante que a mulher dispute e exercer o poder de uma maneira igualitária. Mesmo tendo características próprias e terminamos fazendo a diferença em relação aos homens
em relação ao sucesso dessas mulheres nas eleições vai depende de novas posturas dos partidos políticos e do eleitorado brasileiro e baiano, pois o que queremos é buscar de alterações, quantitativas e qualitativas, no quadro de representação feminina nos diferentes espaços legislativos do Brasil e da Bahia.
Aqui você poderá encontrar artigos, poesias, fotos, videos (...) sobre a mulher guerreira. Principalmente sobre a mulher negra, guerreira, lutadora e vencedora. Toda mulher só é mulher, por que é guerreira desde o nascimento. Tem que ter competência prá ser mulher. Conseguimos ser profissional, mãe, dona-de-casa, amiga, esposa, namorada, lindas, maravilhosas e poderosas. E tudo de salto alto ainda.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
terça-feira, 28 de julho de 2009
MULHER
No princípio eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aqueleQue traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aqueleQue traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção...Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Elas por elas- Carolina Maria de Jesus e Clarice Lispector
“Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.” Clarice Lispector
“Não tenho força física, mas as minhas palavras ferem mais do que espada. E as feridas são incicatrizáveis” Carolina Maria de Jesus
Neste ano de 2007 completam-se trinta anos da morte de dois dos mais expressivos nomes femininos da literatura brasileira, Clarice Lispector (1920-1977) e Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Essas duas mulheres representam, cada uma a seu modo, um grito de protesto contra as injustiças da sociedade brasileira e ambas contribuíram com seus escritos para a reflexão do papel da mulher ao longo do século XX. Embora tivessem um meio de expressão comum, a arte literária, percorreram trajetórias totalmente opostas e chegaram a literatura por caminhos diversos, levando-as inexoravelmente a ocupar papel ativo e questionador do comportamento feminino, sua condição condição histórica e seu papel na sociedade brasileira da segunda metade século passado.
Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik na Ucrânia, nas palavras dela “uma cidade tão pequena que nem figura no mapa”, em 10 de dezembro de 1920, num momento em que seus pais, judeus, se preparavam para imigrar para o Brasil, fugindo da perseguição anti-semita e da Revolução Bolchevique de 1917. Clarice chegou em terras brasileiras com dois meses de idade, juntamente com a família, estabelecendo-se primeiramente em Maceió(AL) e mais tarde em Recife(PE). Em 1943, aos 23 anos, casou-se com o diplomata Maury Gurgel Valente, passando a residir em vários países, até retornar ao Brasil em 1959.
Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, também em uma pequena cidade, Sacramento, uma então provinciana localidade do interior de Minas Gerais. Em Sacramento Carolina conheceu a humilhação, a discriminação e a falta de recursos que a impossibilitaram de integrar-se minimamente na sociedade extremamente elitista daquela época, devido a sua condição de neta de escravos, negra e pobre. Carolina passou a infância e adolescência perambulando pelas cidades do interior de Minas e São Paulo, procurando encontrar melhores formas de manter a vida. Em 1937, aos 23 anos, vivendo em Franca-SP, perdeu a mãe, único vínculo que a mantinha ainda ligada a região, e resolveu partir para capital do estado em busca de melhores chances de sobrevivência. Entre empregos informais e trabalhos domésticos, a futura escritora, sonhava com o mundo das letras. Mais tarde, morando na favela e vivendo da coleta de papéis, Carolina escrevia constantemente, em folhas encontradas no lixo.
O reconhecimento viria mesmo quase que por acaso, quando em 1958, o repórter do jornal “Folha da Noite”, Audálio Dantas é designado para fazer uma matéria sobre a favela do Canindé. Entre os barracos da favela, o jornalista se depara com a intelectualidade de Carolina no meio daquela miséria, e ela mostra seus textos a ele. É seu diário, escrito desordenadamente, em folhas soltas, em cadernos velhos, relatando a dura realidade em que vivia Carolina e os outros favelados do Canindé. O jovem repórter fica maravilhado com a leitura. No dia 19 de maio de 1958, o jornal publica parte do texto, sendo elogiado. Em 1959, Audálio Dantas já trabalhando na grande revista da época – O Cruzeiro, publica trechos do Diário, mas somente em 1960, com uma tiragem inicial de 10 mil exemplares é publicada a obra: “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”. Na noite de autógrafos, são vendidos 600 exemplares, no fim do ano as vendas somavam 100 mil cópias. “Quarto de Despejo” seria republicado em pelo menos 13 línguas em mais de 40 países, incluindo a então União Soviética e o Japão. Sua projeção foi vertiginosa, e conforme explica José Carlos Sebe Bom Meihy, “Jamais outro livro publicado no Brasil com testemunhos de mulheres alcançou níveis equiparáveis ao de Carolina”. Segundo Meihy “Quarto de Despejo”, até 1998, teria “Um milhão de cópias vendidas em todo mundo, sendo inclusive o texto brasileiro mais publicado de todos os tempos”.
Clarice Lispector era formada em Direito, estudou latim, viveu em Nápoles, Washington, Berna, traduziu obras para o português, atuou como repórter e jornalista. Era dona de uma prosa densa, rebuscada, rica em inovações sintáticas e recursos lingüísticos. Em 1944 publicou o primeiro de seus vários romances: "Perto do Coração Selvagem". Clarice surpreendeu a crítica, quer pela problemática e caráter existencial, completamente inovadora, quer pelo estilo singular, fragmentário, revolucionário. Autora de quase vinte obras, se consagraria principalmente com "A Paixão segundo GH” (1964), o "Lustre” (1946) e "A Hora da Estrela” (1975). Pela densidade de sua narrativa, e o profundo perfil psicológico de seus personagens, tem sido comparada a Kafka e junto com Guimarães Rosa, constitui um capítulo especial na história da Literatura Brasileira.
Carolina estudou até o segundo ano primário, as viagens que fez foi peregrinando pelo interior de Minas Gerais e São Paulo, em busca de emprego e melhores perspectivas de vida. Sua escrita é simples, no estilo mais básico e direto: - o diário, por vezes contendo erros de gramática e ortografia, sem contudo, jamais perder a riqueza dos pensamentos bem elaborados.
Mas em ambas escritoras é latente o talento literário nato, a narrativa envolvente e a visão literária como algo predestinado, capaz de guiar suas próprias vidas.
Depois de seu sucesso estrondoso, e em virtude de sua inadequação ao estilo de vida que se esperava que seguisse ao alçançar o sucesso, e por seu temperamento independente, contestador e original, Carolina sentiu-se usada, expôs-se muito, foi consumida e descartada. Passou a ser vista como uma figura incômoda para a elite brasileira, porque revelava sem disfarces os preconceitos e a injustiça social reinante no país. Por isso foi relegada ao segundo plano das letras nacionais. “Ser negra num mundo dominado por brancos, ser mulher num espaço regido por homens, não conseguir fixar-se como pessoa de posses num território em que administrar o dinheiro é mais difícil do que ganhá-lo, publicar livros num ambiente intelectual de modelo refinado, tudo isso reunido fez da experiência de Carolina um turbilhão”, são as impressões de Meihy acerca desse período.
Clarice Lispector também lançou uma voz de protesto dirigida a uma elite que se auto-sufocava, de mulheres ainda não libertadas do conservadorismo que impregnava a sociedade brasileira do início do século XX. Refletiu a difícil situação da mulher brasileira, seja o enclausuramento das senhoras burguesas, em “A Paixão Segundo GH”, seja a opressão e falta de horizontes dos emigrantes nordestinos, achatados pela grande cidade, em “A Hora da Estrela”.
Carolina bradava em favor dos desvalidos, dos favelados, daqueles que não tiveram a oportunidade nem a “regalia” de sofrerem com problemas existenciais.
Mas ambas “se encontraram no sentido mais profundo do seu trabalho. Ambas viram e documentaram o sofrimento das pessoas, especialmente o sofrimento da mulher”. como muito bem observou a profa. Eva Paulino Bueno, da St. Mary’s University, do Estado do Texas, nos EUA.
As vozes de Clarice e Carolina repercutiram além dos limites nacionais, com suas obras publicadas no exterior, foram e continuam sendo alvo de teses e estudos acadêmicos em vários países, mas principalmente nos Estados Unidos, visando desvendar os mistérios de suas produções literárias e avaliar a contribuiçao intelectual e social como mulheres, brasileiras e escritoras.
Clarice, talvez por sua trajetoria mais “elitizada” consagrou-se como figura inconteste da literatura brasileira, e tem sido motivo das mais diversas homenagens e reverências ao longo dos últimos trinta anos.
O nome de Carolina, pelo contrário, enfrentou grande resistência de aceitação por uma elite intelectual que se recusava em ver em uma negra favelada o raro talento para a literatura “Ao contrário de suas pares (Nélida Pinon, Clarice Lispector, Henriqueta Lisboa), que só cresceram, a carreria de Carolina obedeceu o caminho do declínio (..) O avesso dessa questão sugere a crueldade da elite nacional que, através da redefinição constante do chamado código culto, elide uma participante que, apesar de sua obra extensa e original, deixa de ser considerada”. (JCSBM)
Mas embora se tentasse “apagar” sua imagem nas primeiras duas décadas depois de sua morte, Carolina vem experimentando nos últimos anos uma retomada na discussão de sua obra, sendo alvo de estudos consistentes, principalmente no exterior. Em 2005 o Governo do Estado de São Paulo inaugurou, junto ao “Museu Afro Brasil”, no Parque do Ibirapuera, uma biblioteca que leva o nome da escritora. Em 2003 o Diretor Jefferson De produziu o curta-metragem “Carolina”, protagonizado pela atriz Zezé Mota e premiado como vencedor do Festival de Gramado daquele ano. Teses de Doutorado foram produzidas tendo como tema a vida e obra da escritora, especialmente a partir do ano 2000. “Quarto de Despejo” foi selecionado para os vestibulares da UFMG em 2000 e UNB em 2004. Em 2007 a Editora Bertolucci, da terra natal da escritora, reedita “Diário de Bitita”, obra originalmente publicada na França(1982) e no Brasil (1986) em edição da Nova Fronteira, há muito esgotada.
Mas embora essas ações sejam positivas, e tenham contribuido para consolidar a vertente de retomada do nome da escritora, é evidente que ainda há que se percorrer um longo caminho até que Carolina Maria de Jesus seja devidamente respeitada e aceita pela sua singular importância, como uma das escritoras mais originais que o Brasil conheceu.
"Manuel apareceu dizendo que queria casar-se comigo. Mas eu não queria porque já estou na maturidade. E depois, um homem não há de gostar de uma mulher que não pode passar sem ler. E levanta para escrever. E que deita com o lápis e papel debaixo do travesseiro". Carolina Maria de Jesus"
"Nasci para escrever. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que chamo de viver e escrever.” Clarice Lispector
Autor: Alessandro Abdala
Artigo originalmente publicado na Revista Destaque IN, nº74
“Não tenho força física, mas as minhas palavras ferem mais do que espada. E as feridas são incicatrizáveis” Carolina Maria de Jesus
Neste ano de 2007 completam-se trinta anos da morte de dois dos mais expressivos nomes femininos da literatura brasileira, Clarice Lispector (1920-1977) e Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Essas duas mulheres representam, cada uma a seu modo, um grito de protesto contra as injustiças da sociedade brasileira e ambas contribuíram com seus escritos para a reflexão do papel da mulher ao longo do século XX. Embora tivessem um meio de expressão comum, a arte literária, percorreram trajetórias totalmente opostas e chegaram a literatura por caminhos diversos, levando-as inexoravelmente a ocupar papel ativo e questionador do comportamento feminino, sua condição condição histórica e seu papel na sociedade brasileira da segunda metade século passado.
Clarice Lispector nasceu em Tchetchelnik na Ucrânia, nas palavras dela “uma cidade tão pequena que nem figura no mapa”, em 10 de dezembro de 1920, num momento em que seus pais, judeus, se preparavam para imigrar para o Brasil, fugindo da perseguição anti-semita e da Revolução Bolchevique de 1917. Clarice chegou em terras brasileiras com dois meses de idade, juntamente com a família, estabelecendo-se primeiramente em Maceió(AL) e mais tarde em Recife(PE). Em 1943, aos 23 anos, casou-se com o diplomata Maury Gurgel Valente, passando a residir em vários países, até retornar ao Brasil em 1959.
Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, também em uma pequena cidade, Sacramento, uma então provinciana localidade do interior de Minas Gerais. Em Sacramento Carolina conheceu a humilhação, a discriminação e a falta de recursos que a impossibilitaram de integrar-se minimamente na sociedade extremamente elitista daquela época, devido a sua condição de neta de escravos, negra e pobre. Carolina passou a infância e adolescência perambulando pelas cidades do interior de Minas e São Paulo, procurando encontrar melhores formas de manter a vida. Em 1937, aos 23 anos, vivendo em Franca-SP, perdeu a mãe, único vínculo que a mantinha ainda ligada a região, e resolveu partir para capital do estado em busca de melhores chances de sobrevivência. Entre empregos informais e trabalhos domésticos, a futura escritora, sonhava com o mundo das letras. Mais tarde, morando na favela e vivendo da coleta de papéis, Carolina escrevia constantemente, em folhas encontradas no lixo.
O reconhecimento viria mesmo quase que por acaso, quando em 1958, o repórter do jornal “Folha da Noite”, Audálio Dantas é designado para fazer uma matéria sobre a favela do Canindé. Entre os barracos da favela, o jornalista se depara com a intelectualidade de Carolina no meio daquela miséria, e ela mostra seus textos a ele. É seu diário, escrito desordenadamente, em folhas soltas, em cadernos velhos, relatando a dura realidade em que vivia Carolina e os outros favelados do Canindé. O jovem repórter fica maravilhado com a leitura. No dia 19 de maio de 1958, o jornal publica parte do texto, sendo elogiado. Em 1959, Audálio Dantas já trabalhando na grande revista da época – O Cruzeiro, publica trechos do Diário, mas somente em 1960, com uma tiragem inicial de 10 mil exemplares é publicada a obra: “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”. Na noite de autógrafos, são vendidos 600 exemplares, no fim do ano as vendas somavam 100 mil cópias. “Quarto de Despejo” seria republicado em pelo menos 13 línguas em mais de 40 países, incluindo a então União Soviética e o Japão. Sua projeção foi vertiginosa, e conforme explica José Carlos Sebe Bom Meihy, “Jamais outro livro publicado no Brasil com testemunhos de mulheres alcançou níveis equiparáveis ao de Carolina”. Segundo Meihy “Quarto de Despejo”, até 1998, teria “Um milhão de cópias vendidas em todo mundo, sendo inclusive o texto brasileiro mais publicado de todos os tempos”.
Clarice Lispector era formada em Direito, estudou latim, viveu em Nápoles, Washington, Berna, traduziu obras para o português, atuou como repórter e jornalista. Era dona de uma prosa densa, rebuscada, rica em inovações sintáticas e recursos lingüísticos. Em 1944 publicou o primeiro de seus vários romances: "Perto do Coração Selvagem". Clarice surpreendeu a crítica, quer pela problemática e caráter existencial, completamente inovadora, quer pelo estilo singular, fragmentário, revolucionário. Autora de quase vinte obras, se consagraria principalmente com "A Paixão segundo GH” (1964), o "Lustre” (1946) e "A Hora da Estrela” (1975). Pela densidade de sua narrativa, e o profundo perfil psicológico de seus personagens, tem sido comparada a Kafka e junto com Guimarães Rosa, constitui um capítulo especial na história da Literatura Brasileira.
Carolina estudou até o segundo ano primário, as viagens que fez foi peregrinando pelo interior de Minas Gerais e São Paulo, em busca de emprego e melhores perspectivas de vida. Sua escrita é simples, no estilo mais básico e direto: - o diário, por vezes contendo erros de gramática e ortografia, sem contudo, jamais perder a riqueza dos pensamentos bem elaborados.
Mas em ambas escritoras é latente o talento literário nato, a narrativa envolvente e a visão literária como algo predestinado, capaz de guiar suas próprias vidas.
Depois de seu sucesso estrondoso, e em virtude de sua inadequação ao estilo de vida que se esperava que seguisse ao alçançar o sucesso, e por seu temperamento independente, contestador e original, Carolina sentiu-se usada, expôs-se muito, foi consumida e descartada. Passou a ser vista como uma figura incômoda para a elite brasileira, porque revelava sem disfarces os preconceitos e a injustiça social reinante no país. Por isso foi relegada ao segundo plano das letras nacionais. “Ser negra num mundo dominado por brancos, ser mulher num espaço regido por homens, não conseguir fixar-se como pessoa de posses num território em que administrar o dinheiro é mais difícil do que ganhá-lo, publicar livros num ambiente intelectual de modelo refinado, tudo isso reunido fez da experiência de Carolina um turbilhão”, são as impressões de Meihy acerca desse período.
Clarice Lispector também lançou uma voz de protesto dirigida a uma elite que se auto-sufocava, de mulheres ainda não libertadas do conservadorismo que impregnava a sociedade brasileira do início do século XX. Refletiu a difícil situação da mulher brasileira, seja o enclausuramento das senhoras burguesas, em “A Paixão Segundo GH”, seja a opressão e falta de horizontes dos emigrantes nordestinos, achatados pela grande cidade, em “A Hora da Estrela”.
Carolina bradava em favor dos desvalidos, dos favelados, daqueles que não tiveram a oportunidade nem a “regalia” de sofrerem com problemas existenciais.
Mas ambas “se encontraram no sentido mais profundo do seu trabalho. Ambas viram e documentaram o sofrimento das pessoas, especialmente o sofrimento da mulher”. como muito bem observou a profa. Eva Paulino Bueno, da St. Mary’s University, do Estado do Texas, nos EUA.
As vozes de Clarice e Carolina repercutiram além dos limites nacionais, com suas obras publicadas no exterior, foram e continuam sendo alvo de teses e estudos acadêmicos em vários países, mas principalmente nos Estados Unidos, visando desvendar os mistérios de suas produções literárias e avaliar a contribuiçao intelectual e social como mulheres, brasileiras e escritoras.
Clarice, talvez por sua trajetoria mais “elitizada” consagrou-se como figura inconteste da literatura brasileira, e tem sido motivo das mais diversas homenagens e reverências ao longo dos últimos trinta anos.
O nome de Carolina, pelo contrário, enfrentou grande resistência de aceitação por uma elite intelectual que se recusava em ver em uma negra favelada o raro talento para a literatura “Ao contrário de suas pares (Nélida Pinon, Clarice Lispector, Henriqueta Lisboa), que só cresceram, a carreria de Carolina obedeceu o caminho do declínio (..) O avesso dessa questão sugere a crueldade da elite nacional que, através da redefinição constante do chamado código culto, elide uma participante que, apesar de sua obra extensa e original, deixa de ser considerada”. (JCSBM)
Mas embora se tentasse “apagar” sua imagem nas primeiras duas décadas depois de sua morte, Carolina vem experimentando nos últimos anos uma retomada na discussão de sua obra, sendo alvo de estudos consistentes, principalmente no exterior. Em 2005 o Governo do Estado de São Paulo inaugurou, junto ao “Museu Afro Brasil”, no Parque do Ibirapuera, uma biblioteca que leva o nome da escritora. Em 2003 o Diretor Jefferson De produziu o curta-metragem “Carolina”, protagonizado pela atriz Zezé Mota e premiado como vencedor do Festival de Gramado daquele ano. Teses de Doutorado foram produzidas tendo como tema a vida e obra da escritora, especialmente a partir do ano 2000. “Quarto de Despejo” foi selecionado para os vestibulares da UFMG em 2000 e UNB em 2004. Em 2007 a Editora Bertolucci, da terra natal da escritora, reedita “Diário de Bitita”, obra originalmente publicada na França(1982) e no Brasil (1986) em edição da Nova Fronteira, há muito esgotada.
Mas embora essas ações sejam positivas, e tenham contribuido para consolidar a vertente de retomada do nome da escritora, é evidente que ainda há que se percorrer um longo caminho até que Carolina Maria de Jesus seja devidamente respeitada e aceita pela sua singular importância, como uma das escritoras mais originais que o Brasil conheceu.
"Manuel apareceu dizendo que queria casar-se comigo. Mas eu não queria porque já estou na maturidade. E depois, um homem não há de gostar de uma mulher que não pode passar sem ler. E levanta para escrever. E que deita com o lápis e papel debaixo do travesseiro". Carolina Maria de Jesus"
"Nasci para escrever. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que chamo de viver e escrever.” Clarice Lispector
Autor: Alessandro Abdala
Artigo originalmente publicado na Revista Destaque IN, nº74
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Rainha Nzinga Mbandi
Filha de Nzinga a Mbande Ngola Kiluaje e Guenguela Cakombe Controversa líder feminina homenageada em Angola e no Brasil. Misto de libertadora com uma grande negociadora de escravos. Inteligente e cruel ao mesmo tempo. É difícil fazer um julgamento de seu caráter a tanta distancia cronológica.A Historia de Nzinga começa com a ocupação portuguesa, em 1578, quando Paulo Dias de Novais funda a cidade fortificada de São Paulo de Assumpção de Luanda que se tornará a futura capital de Angola em território mbundu. O rei dos mbundu era Ngola Kiluanji, pai de Nzinga, resistiu por muitos anos à invasão de seu território. Ngola Kiluanji resiste à ocupação portuguesa. No entanto, uma parte do território é tomada, constituindo o primeiro espaço colonial na região. O rei Kiluanji refugia-se em Cabassa, no interior de Matamba, e consegue reter o avanço dos portugueses. Após a morte de Kiluanji sucede seu filho Kia Ngola Mbandi, meio irmão de Nzinga, que, inicialmente, também impediu o avanço do comércio escravagista para o interior. Uma das primeiras medidas de Kia Mbamdi foi matar o filho único de Nzinga, concorrente em potencial.Ela também teve de aturar forte oposição interna por ser mulher e ter como mãe uma escrava – mancha grave em sua ficha, já que todo o poder, no reino, se baseava nas relações de parentesco. Nzinga fora criada pelo pai, o rei Jinga Mbandi, para ser uma rainha guerreira. Diplomata hábil, auxiliou seu irmão, mesmo rancorosa com o ato de assassinato de seu filho, negociando a devolução de territórios já ocupados pelos invasores. Recebida em Luanda com grande pompa pelo governador geral ela negocia sem ceder algum território e pede a devolução de territórios que obtém pela sua conversão política ao cristianismo, recebendo o nome de Dona Anna de Sousa. Mais tarde suas irmãs Cambi e Fungi também se convertem, passando a se chamar Dona Bárbara e Dona Garcia respectivamente.Entretanto os portugueses ficam impacientes, e no desejo de estabelecerem o comércio com o jaga de Cassanje no interior, não respeitam o tratado de paz. A rebelião de alguns sobas (chefes), que se aliam ao jaga de Cassange e aos portugueses, cria uma situação de desordem no reino de Ngola.Depois de saber da quebra do tratado, ela perguntou ao seu irmão para interceder e lutar contra a invasão portuguesa. Nzinga assume o comando da situação e ao encontrar um dos sobas, seu tio, que se dirigia a Luanda para se submeter aos portugueses, manda decapitá-lo, e dando conta da hesitação de seu irmão manda envenená-lo abrindo assim caminho ao poder e ao comando da resistência à ocupação das terras de Ngola e Matamba. De volta da sua missão, faz sua vingança, reorganizando seu exercito, mas esperando o momento propício. Aclamada Rainha Nzinga vai atirar o sobrinho, recebendo-o alegremente para em seguida apunhalá-lo, deste modo acaba sua vingança. Os adversários portugueses respondem elegendo um chefe mbundu, Aiidi Kiluanji (Kiluanji II), como novo Ngola das terras do Ndongo.A líder Nzinga, não conseguindo um acordo de paz com os portugueses em troca de seu reconhecimento como rainha de Matamba, renega a fé católica e se alia aos guerreiros jagas de Oeste se fazendo iniciar nos ritos da máquina de guerra que constituía o quilombo. Ela une-se a eles casando com um chefe jaga.Aliou-se a guerreiros jagas passando a atuar em quilombos, com espaços e táticas de guerra semelhantes aos utilizados por seu contemporâneo Zumbi dos Palmares em terras brasileiras. Durante a guerra por liderar pessoalmente as suas tropas e proibiu de as suas tropas a tratarem de "Rainha", preferindo que se dirigissem a ela como "Rei". Em 1640, a rainha Nzinga e seus guerreiros atacam o forte Massangano, onde suas duas irmãs, Cambu e Fungi, são aprisionadas, sendo esta última executada. Aproveitando a ocupação temporária de Luanda pelos holandeses, recupera alguns territórios de Ngola com a adesão de alguns sobas (chefes). Salvador Correia de Sá y Benevides, general brasileiro, restaura a soberania portuguesa em Luanda e tenta restabelecer seu poder no interior.Numa incursão do exército de Nzinga são aprisionados dois capuchinhos que a rainha aproveita para convencê-los de sua vontade de reconversão em troca do reconhecimento de sua soberania nos reinos de Ngola e Matamba e da libertação de sua irmã Cambu. O governador geral aceita libertar Cambu se Nzinga retificar um tratado limitando suas reivindicações a Matamba e renunciando aos territórios de Ngola, sendo o rio Lucala escolhido como fronteira. Este tratado, de 1656, só vai ser posto em prática depois da ameaça da rainha voltar à guerra. Só assim o governo de Luanda libera sua irmã Cambu, mesmo assim depois do pagamento de um resgate de mais de uma centena de escravos. Cambu tinha ficado retida em Luanda por cerca de dez anos.Há uma paz relativa no reino de Matamba até a sua morte aos 82 anos em 17 de dezembro de 1663. Sucede a Nzinga sua irmã Cambu, continuadora da memória de sua irmã, a rainha quilombola de Matamba e Angola.Um episódio revela bem essas qualidades: Quando se apresenta como embaixatriz em Luanda, o governador recebe-a numa sala onde havia apenas uma cadeira e uma almofada o governador oferece-lhe a almofada, o que Nzinga recusa por ofender a sua dignidade real e senta-se no corpo ajoelhado de um dos acompanhantes da sua corte, eliminando a posição de inferioridade que sutilmente lhe era oferecida pelo governador. Quando a audiência foi terminada deixa a escrava na mesma posição. Perguntaram-lhe se esquecera a escrava, ela respondeu, que não costumava conduzir a cadeira utilizada em cerimônia de tal importância.
Nefertiti – A rainha do Egito. .
Uma rainha muito importante do período do Novo Egito, que governou no século IX a.C. Nefertite se casou com o faraó Amenhotep IV, que mudou o nome por declarar adoração à Aton - antigo Rá deus Sol, tornando-se Akenaton, ou seja, o rei sol. Akenaton acordava toso dia de manhã e rezava para o sol até ele se por. Ele obrigou todos do Egito a fazerem a mesma coisa, condenando as antigas práticas religiosas, e a todos que ainda permanecessem no politeísmo. O faraó possuía duas esposas, mas Nefertite era a principal, por isso, Akenaton a chamava de sacerdotisa do sol! Um dia, Akenaton faleceu tomando um veneno oferecido por todos os sacerdotes que se opunham a ele e queriam nomear outro faraó. Nefertite ficou com o poder, mantendo assim, toda a paixão pelo deus sol. Todos ficaram revoltados! Perseguiram e mataram Nefertite. Até agora não se sabe se a Nefertite foi assassinada e jogada no rio ou morreu normalmente. A nossa dúvida sobre isso, é porque até agora, não acharam a múmia dela. E assim foi a História de Nefertite!
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Vocês conhecem Maria da Penha? Falo da mulher ativista que inspirou a criação da lei que recebeu o seu nome. Ela e Maria Dolores de Brito escreveram a oportuna reflexão sobre o caso Eloá:
Feminicídio ao vivo: o que nos clama Eloá
Tudo o que o Brasil acompanhou com pesar no drama de Eloá, em suas cem horas de suplício em cadeia nacional, não pode ser visto apenas como resultado de um ato desesperado de um rapaz desequilibrado por causa de uma intensa ou incontrolada paixão. É uma expressão perversa de um tipo de dominação masculina ainda fortemente cravada na cultura brasileira.
No Brasil, foram os movimentos feministas que iniciaram nos anos de 1970, as denúncias, mobilização e enfrentamento da violência de gênero contra as mulheres que se materializava nos crimes cometidos por homens contra suas parceiras amorosas. Naquele período ainda estava em vigor o instituto da defesa da honra, e desenvolveram- se ações de movimentos feministas e democráticos pela punição aos assassinos de mulheres. A alegação da defesa da honra era então justificativa para muitos crimes contra mulheres, mas no contexto de reorganização social para a conquista da democracia no país e do surgimento de movimentos feministas, este tema vai emergir como questão pública, política, a ser enfrentada pela sociedade por ferir a cidadania e os direitos humanos das mulheres.
O assassinato de Ângela Diniz, em dezembro de 1976, por seu namorado Doca Street, foi o acontecimento desencadeador de uma reação generalizada contra a absolvição do criminoso em primeira instância, sob alegação de que o crime foi uma reação pela defesa "honra". Na verdade, as circunstâncias mostravam um crime bárbaro motivado pela determinação da vítima em acabar com o relacionamento amoroso, e a inconformidade do assassino com este fim. Essa decisão da justiça revoltou parcelas significativas da sociedade cuja pressão levou a um novo julgamento em 1979 que condenou o assassino. Outro crime emblemático foi o assassinato de Eliane de Grammont pelo seu ex-marido Lindomar Castilho em março de 1981. Crimes que motivaram a campanha "quem ama não mata".
Agora, após três décadas, o Brasil assistiu ao vivo, testemunhando, o assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento. Um relacionamento que ele mesmo tomou a iniciativa de acabar por ciúmes, e que Eloá não quis reatar. O assassino, durante 100 horas manteve Eloá e uma amiga em cárcere privado, bateu na vitima, acusou, expôs, coagiu e por fim martirizou o seu corpo com um tiro na virilha, local de representação da identidade sexual, e na cabeça, local de representação da identidade individual. Um crime em que não apenas a vida de um corpo foi assassinada, mas o significado que carrega – o feminino.
Um crime do patriarcado que se sustenta no controle do corpo, da vontade e da capacidade punitiva sobre as mulheres pelos homens. O feminicídio é um crime de ódio, realizado sempre com crueldade, como o "extremo de um continuum de terror anti-feminino" , incluindo várias formas de violência como sofreu Eloá, xingamentos, desconfiança, acusações, agressões físicas, até alcançar o nível da morte pública. O que o seu assassino quis mostrar a todas/os nós? Que como homem tinha o controle do corpo de Eloá e que como homem lhe era superior? Ao perceber Eloá como sujeito autônomo, sentiu-se traído, no que atribuía a ela como mulher (a submissão ao seu desejo), e no que atribuía a si como homem (o poder sobre ela - base de sua virilidade). Assim o feminicídio é um crime de poder, é um crime político. Juridicamente é um crime hediondo, triplamente qualificado: motivo fútil, sem condições de defesa da vítima, premeditado.
Se antes esses crimes aconteciam nas alcovas, nos silêncios das madrugadas, estão agora acontecendo em espaços públicos, shoppings, estabelecimentos comerciais, e agora na mídia. Para Laura Segato [1] é necessário retirar os crimes contra mulheres da classificação de homicídios, nomeando-os de feminicídio e demarcar frente aos meios de comunicação esse universo dos crimes do patriarcado. Esse é o caminho para os estudos e as ações de denúncia e de enfrentamento para as formas de violência de gênero contra as mulheres.
Muita coisa já se avançou no Brasil na direção da garantia dos direitos humanos das mulheres e da equidade de gênero, como a criação das Delegacias de Apoio às Mulheres - DEAMs, que hoje somam 339 no país, o surgimento de 71 casas abrigo, além de inúmeros núcleos e centros de apoio que prestam atendimento e orientação às mulheres vítimas, realizando trabalho de denúncia e conscientizaçã o social para o combate e prevenção dessa violência, além de um trabalho de apoio psicológico e resgate pessoal das vítimas. Também ocorreram mudanças no Código Penal como a retirada do termo "mulher honesta" e a adoção da pena de prisão para agressores de mulheres, em substituição às cestas básicas. A criação da Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, para o enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres.
Mas, ainda assim, as violências e o feminicídio continuam a acontecer. Vejamos o exemplo do Estado do Ceará: em 2007, 116 mulheres foram vítimas de assassinato no Ceará; em 2006, 135 casos foram registrados; em 2005, 118 mortes e em 2004, mais 105 casos [2]. As mulheres estão num caminho de construção de direitos e de autonomia, mas a instituição do patriarcado continua a persistir como forma de estruturação de sujeitos. É preciso que toda a sociedade se mobilize para desmontar os valores e as práticas que sustentam essa dominação masculina, transformando mentalidades, desmontando as estruturas profundas que persistem no imaginário social apesar das mudanças que já praticamos na realidade cotidiana. O comandante da ação policial de resgate de Eloá declarou que não atirou no agressor por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao seu sofrer. E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida empaticamente a sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz?
Notas:[1] SEGATO, Rita Laura. Que és um feminicídio. Notas para um debateemergente. Serie Antropologia, N. 401. Brasília: UNB, 2006.[2] Dados disponíveis em: http://www.patricia galvao.org. br/apc-aa-patriciagalvao/ home/noticias. ...=1076* Maria Dolores é Socióloga, professora da Universidade Federal do Ceará /Maria da Penha é inspiradora do nome da Lei Federal 11340/2006 e colaboradora de Honra da Coordenadoria de Políticas para Mulheres da Prefeitura de MulheresParceria:
escritorioepa@yahoo.com.br
+ 55 (71) 8726-2825 Gerson Ferreira
Salvador - Bahia - Brasi
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Feminicídio ao vivo: o que nos clama Eloá
Tudo o que o Brasil acompanhou com pesar no drama de Eloá, em suas cem horas de suplício em cadeia nacional, não pode ser visto apenas como resultado de um ato desesperado de um rapaz desequilibrado por causa de uma intensa ou incontrolada paixão. É uma expressão perversa de um tipo de dominação masculina ainda fortemente cravada na cultura brasileira.
No Brasil, foram os movimentos feministas que iniciaram nos anos de 1970, as denúncias, mobilização e enfrentamento da violência de gênero contra as mulheres que se materializava nos crimes cometidos por homens contra suas parceiras amorosas. Naquele período ainda estava em vigor o instituto da defesa da honra, e desenvolveram- se ações de movimentos feministas e democráticos pela punição aos assassinos de mulheres. A alegação da defesa da honra era então justificativa para muitos crimes contra mulheres, mas no contexto de reorganização social para a conquista da democracia no país e do surgimento de movimentos feministas, este tema vai emergir como questão pública, política, a ser enfrentada pela sociedade por ferir a cidadania e os direitos humanos das mulheres.
O assassinato de Ângela Diniz, em dezembro de 1976, por seu namorado Doca Street, foi o acontecimento desencadeador de uma reação generalizada contra a absolvição do criminoso em primeira instância, sob alegação de que o crime foi uma reação pela defesa "honra". Na verdade, as circunstâncias mostravam um crime bárbaro motivado pela determinação da vítima em acabar com o relacionamento amoroso, e a inconformidade do assassino com este fim. Essa decisão da justiça revoltou parcelas significativas da sociedade cuja pressão levou a um novo julgamento em 1979 que condenou o assassino. Outro crime emblemático foi o assassinato de Eliane de Grammont pelo seu ex-marido Lindomar Castilho em março de 1981. Crimes que motivaram a campanha "quem ama não mata".
Agora, após três décadas, o Brasil assistiu ao vivo, testemunhando, o assassinato de uma adolescente de 15 anos por um ex-namorado inconformado com o fim do relacionamento. Um relacionamento que ele mesmo tomou a iniciativa de acabar por ciúmes, e que Eloá não quis reatar. O assassino, durante 100 horas manteve Eloá e uma amiga em cárcere privado, bateu na vitima, acusou, expôs, coagiu e por fim martirizou o seu corpo com um tiro na virilha, local de representação da identidade sexual, e na cabeça, local de representação da identidade individual. Um crime em que não apenas a vida de um corpo foi assassinada, mas o significado que carrega – o feminino.
Um crime do patriarcado que se sustenta no controle do corpo, da vontade e da capacidade punitiva sobre as mulheres pelos homens. O feminicídio é um crime de ódio, realizado sempre com crueldade, como o "extremo de um continuum de terror anti-feminino" , incluindo várias formas de violência como sofreu Eloá, xingamentos, desconfiança, acusações, agressões físicas, até alcançar o nível da morte pública. O que o seu assassino quis mostrar a todas/os nós? Que como homem tinha o controle do corpo de Eloá e que como homem lhe era superior? Ao perceber Eloá como sujeito autônomo, sentiu-se traído, no que atribuía a ela como mulher (a submissão ao seu desejo), e no que atribuía a si como homem (o poder sobre ela - base de sua virilidade). Assim o feminicídio é um crime de poder, é um crime político. Juridicamente é um crime hediondo, triplamente qualificado: motivo fútil, sem condições de defesa da vítima, premeditado.
Se antes esses crimes aconteciam nas alcovas, nos silêncios das madrugadas, estão agora acontecendo em espaços públicos, shoppings, estabelecimentos comerciais, e agora na mídia. Para Laura Segato [1] é necessário retirar os crimes contra mulheres da classificação de homicídios, nomeando-os de feminicídio e demarcar frente aos meios de comunicação esse universo dos crimes do patriarcado. Esse é o caminho para os estudos e as ações de denúncia e de enfrentamento para as formas de violência de gênero contra as mulheres.
Muita coisa já se avançou no Brasil na direção da garantia dos direitos humanos das mulheres e da equidade de gênero, como a criação das Delegacias de Apoio às Mulheres - DEAMs, que hoje somam 339 no país, o surgimento de 71 casas abrigo, além de inúmeros núcleos e centros de apoio que prestam atendimento e orientação às mulheres vítimas, realizando trabalho de denúncia e conscientizaçã o social para o combate e prevenção dessa violência, além de um trabalho de apoio psicológico e resgate pessoal das vítimas. Também ocorreram mudanças no Código Penal como a retirada do termo "mulher honesta" e a adoção da pena de prisão para agressores de mulheres, em substituição às cestas básicas. A criação da Lei 11.340, a Lei Maria da Penha, para o enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres.
Mas, ainda assim, as violências e o feminicídio continuam a acontecer. Vejamos o exemplo do Estado do Ceará: em 2007, 116 mulheres foram vítimas de assassinato no Ceará; em 2006, 135 casos foram registrados; em 2005, 118 mortes e em 2004, mais 105 casos [2]. As mulheres estão num caminho de construção de direitos e de autonomia, mas a instituição do patriarcado continua a persistir como forma de estruturação de sujeitos. É preciso que toda a sociedade se mobilize para desmontar os valores e as práticas que sustentam essa dominação masculina, transformando mentalidades, desmontando as estruturas profundas que persistem no imaginário social apesar das mudanças que já praticamos na realidade cotidiana. O comandante da ação policial de resgate de Eloá declarou que não atirou no agressor por se tratar de "um jovem em crise amorosa", num reconhecimento ao seu sofrer. E o sofrer de Eloá? Por que não foi compreendida empaticamente a sua angústia e sua vontade (e direito) de ser livremente feliz?
Notas:[1] SEGATO, Rita Laura. Que és um feminicídio. Notas para um debateemergente. Serie Antropologia, N. 401. Brasília: UNB, 2006.[2] Dados disponíveis em: http://www.patricia galvao.org. br/apc-aa-patriciagalvao/ home/noticias. ...=1076* Maria Dolores é Socióloga, professora da Universidade Federal do Ceará /Maria da Penha é inspiradora do nome da Lei Federal 11340/2006 e colaboradora de Honra da Coordenadoria de Políticas para Mulheres da Prefeitura de MulheresParceria:
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Educação e Contemporaneidade
A disciplina Educação e Contemporaneidade me fez refletir sobre as recentes reformulações dos cursos de formação de professores e a crescente valorização da carreira do magistério, em vários países do primeiro mundo, expressam a preocupação de que o sistema de ensino corresponda às exigências da sociedade do conhecimento e de que o professor seja o agente privilegiado das mudanças desse sistema e que ele esteja mais preparado para isso. Como conseqüência, já se constata, nesses países, que o nível de formação docente tem se elevado, bem como que os cursos de especialização tem tido maior reconhecimento social. As políticas adotadas consideram que a qualificação para o ensino está relacionada com a formação inicial de professores e com a existência de uma carreira profissional estimulante, proporcionada pela garantia de mecanismos de formação contínua e de salários dignos.
“No tocante à qualificação profissional, essas políticas partem da concepção de que o professor não é um técnico reprodutor de conhecimento acumulado pela humanidade. É o profissional que domina o conhecimento específico de sua área e o conhecimento pedagógico em uma perspectiva de totalidade. Isso lhe permite perceber as relações existentes entre as atividades educacionais e a globalidade das relações sociais, políticas e culturais em que o processo educacional ocorre e atuar como agente de transformação da realidade” (ANFOPE, 1989, p.13).
A construção de uma prática reflexiva requer ao educando a investigação contínua de seu fazer no cotidiano, atenção não só ao observável, ao falado e ao escrito, mas também ao não-realizado, ao não-falado e ao não-escrito, que podem indicar limites no processo de aprendizagem do estudante, na comunicação em sala de aula, nas situações de ensino e de avaliação e na relação pedagógica, cuja competência pode e deve ser construída já na formação docente. Essa prática reflexiva pressupõe a curiosidade constante do professor para com os alunos, um pensamento ágil e apurado e a sistemática de reflexão permanente sobre o processo ensino-aprendizagem, numa perspectiva de ação-reflexão-ação.
Com base nessa concepção de formação e construção de conhecimento e apoiados em autores que vêm trazendo importantes contribuições acerca da formação e avaliação (Saul, 1994; Hoffmann, 1994, 1995; Luckesi, 1995; André e Lüdke, 1994; Darsie, 1995; Perrenoud, 1999) entre outros, é que a considero como ação crítico-reflexivo, envolvendo ao mesmo tempo questões de ordem técnica, política e epistemológica. A avaliação assume o compromisso com o sucesso da aprendizagem a partir de um processo permanente de reflexão sobre a qualidade do ensino, e se inscreve numa concepção de conhecimento situado cultural, histórica e politicamente, os quais carregam os traços, os valores, os significados atribuídos pelos sujeitos.
Essa perspectiva de avaliação tem um caráter crítico-reflexivo e define seus contornos no contexto de uma aprendizagem como processo significativo de apropriação crítica de conhecimentos sob os pontos de vista intelectual, cultural e político. Do ponto de vista intelectual, a avaliação se constitui enquanto processo reflexivo, através do qual as situações de aprendizagem são continuamente analisadas com base nas reflexões do professor sobre as condições de aprendizagem dos seus alunos, a fim de intervir com questionamentos desafiadores, conflitos, situações-problema. A interlocução entre professor e o aluno que supera a necessidade de controle, e exerce a função de acompanhamento sistemático e crítico do processo de aprendizagem, tanto busca superar as dificuldades e ampliar as competências intelectuais do aluno, quanto melhorar a qualidade da prática docente.
No que se refere à sua dimensão cultural, ao buscar constituir-se enquanto instrumento de aprendizagens relevantes de vários significados e múltiplas interseções de conhecimentos, a avaliação considera a diversidade cultural. Portanto, pressupõe a pluralidade de formas (e) de conhecimentos, como inerente ao processo ensino-aprendizagem, refletindo e intervindo sobre o processo de aprendizagem dos alunos diferenciadamente (PERRENOUD, 1999), de acordo com as dificuldades e necessidades individuais.
Já em seu aspecto político, a avaliação reflexiva no contexto de uma aprendizagem como processo significativo de apropriação crítica de conhecimentos, diversamente cultural, não seletiva, mas formativa, está intrinsecamente comprometida com o acesso de todos ao conhecimento socialmente produzido, contribuindo com a democratização do conhecimento.
Dada a importância – política, cultural e intelectual – da avaliação crítico-reflexiva, efetivamente comprometida com o processo de construção do conhecimento, essa prática assume um papel fundamental no fazer pedagógico. Baseada na analise que fiz sobre avaliação na construção de conhecimento posso dizer que o meu aprendizado na disciplina foi muito bom.
REFERÊNCIAS
HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. 5. ed. Porto Alegre, RS: Educação e Realidade, 1994.
HOFFMAN, Jussara – Avaliação na Pré-escola –Editora Mediação.
Concepções de linguagem e escrita ... Avaliação Mediadora - Hoffmam, Jussara, - Editora Mediação; 1985
PERRENOUD, Fhilippe. Avaliação: da excelência à regulaçãodas aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre : Artes Médicas Sul, 1999.
PERRENOUD, Fhilippe. Dez novas competências para ensinar.Trad. Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre : Artes Médicas, 2000.
“No tocante à qualificação profissional, essas políticas partem da concepção de que o professor não é um técnico reprodutor de conhecimento acumulado pela humanidade. É o profissional que domina o conhecimento específico de sua área e o conhecimento pedagógico em uma perspectiva de totalidade. Isso lhe permite perceber as relações existentes entre as atividades educacionais e a globalidade das relações sociais, políticas e culturais em que o processo educacional ocorre e atuar como agente de transformação da realidade” (ANFOPE, 1989, p.13).
A construção de uma prática reflexiva requer ao educando a investigação contínua de seu fazer no cotidiano, atenção não só ao observável, ao falado e ao escrito, mas também ao não-realizado, ao não-falado e ao não-escrito, que podem indicar limites no processo de aprendizagem do estudante, na comunicação em sala de aula, nas situações de ensino e de avaliação e na relação pedagógica, cuja competência pode e deve ser construída já na formação docente. Essa prática reflexiva pressupõe a curiosidade constante do professor para com os alunos, um pensamento ágil e apurado e a sistemática de reflexão permanente sobre o processo ensino-aprendizagem, numa perspectiva de ação-reflexão-ação.
Com base nessa concepção de formação e construção de conhecimento e apoiados em autores que vêm trazendo importantes contribuições acerca da formação e avaliação (Saul, 1994; Hoffmann, 1994, 1995; Luckesi, 1995; André e Lüdke, 1994; Darsie, 1995; Perrenoud, 1999) entre outros, é que a considero como ação crítico-reflexivo, envolvendo ao mesmo tempo questões de ordem técnica, política e epistemológica. A avaliação assume o compromisso com o sucesso da aprendizagem a partir de um processo permanente de reflexão sobre a qualidade do ensino, e se inscreve numa concepção de conhecimento situado cultural, histórica e politicamente, os quais carregam os traços, os valores, os significados atribuídos pelos sujeitos.
Essa perspectiva de avaliação tem um caráter crítico-reflexivo e define seus contornos no contexto de uma aprendizagem como processo significativo de apropriação crítica de conhecimentos sob os pontos de vista intelectual, cultural e político. Do ponto de vista intelectual, a avaliação se constitui enquanto processo reflexivo, através do qual as situações de aprendizagem são continuamente analisadas com base nas reflexões do professor sobre as condições de aprendizagem dos seus alunos, a fim de intervir com questionamentos desafiadores, conflitos, situações-problema. A interlocução entre professor e o aluno que supera a necessidade de controle, e exerce a função de acompanhamento sistemático e crítico do processo de aprendizagem, tanto busca superar as dificuldades e ampliar as competências intelectuais do aluno, quanto melhorar a qualidade da prática docente.
No que se refere à sua dimensão cultural, ao buscar constituir-se enquanto instrumento de aprendizagens relevantes de vários significados e múltiplas interseções de conhecimentos, a avaliação considera a diversidade cultural. Portanto, pressupõe a pluralidade de formas (e) de conhecimentos, como inerente ao processo ensino-aprendizagem, refletindo e intervindo sobre o processo de aprendizagem dos alunos diferenciadamente (PERRENOUD, 1999), de acordo com as dificuldades e necessidades individuais.
Já em seu aspecto político, a avaliação reflexiva no contexto de uma aprendizagem como processo significativo de apropriação crítica de conhecimentos, diversamente cultural, não seletiva, mas formativa, está intrinsecamente comprometida com o acesso de todos ao conhecimento socialmente produzido, contribuindo com a democratização do conhecimento.
Dada a importância – política, cultural e intelectual – da avaliação crítico-reflexiva, efetivamente comprometida com o processo de construção do conhecimento, essa prática assume um papel fundamental no fazer pedagógico. Baseada na analise que fiz sobre avaliação na construção de conhecimento posso dizer que o meu aprendizado na disciplina foi muito bom.
REFERÊNCIAS
HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. 5. ed. Porto Alegre, RS: Educação e Realidade, 1994.
HOFFMAN, Jussara – Avaliação na Pré-escola –Editora Mediação.
Concepções de linguagem e escrita ... Avaliação Mediadora - Hoffmam, Jussara, - Editora Mediação; 1985
PERRENOUD, Fhilippe. Avaliação: da excelência à regulaçãodas aprendizagens – entre duas lógicas. Porto Alegre : Artes Médicas Sul, 1999.
PERRENOUD, Fhilippe. Dez novas competências para ensinar.Trad. Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre : Artes Médicas, 2000.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia
A nossa pesquisa de campo aconteceu na Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia, situada no bairro do Uruguai na Península de Itapagipe. Essa Organização foi Implementada em julho de 1989, com a missão de lutar para formar cidadãos aptos para combater as desigualdades e buscar soluções dos problemas e desafios da sociedade e cada vez mais criar mecanismos de luta em defesa de uma qualidade de vida para os seus moradores na formação ética, social e humana. Ela tem como principio básico a valorização das pessoas e respeito ás deferências. É uma organização civil, não empresarial, sem fins lucrativos com foro e Jurisdição no território do município de Salvador. Suas áreas de intervenção, atualmente, são:
• Saúde: Atenção primária à saúde infanto-juvenil. Controle nutricional.
• Educação: Viabilização do acesso das crianças ao Ensino Fundamental e a Educação Infantil. Aula de reforço escolar. Alfabetização de jovens e adultos. Capacitação de ed Educação e Saúde da Mulher: Funciona no Posto de Saúde, trabalhando com mulheres do Uruguai e adjacências temas como :aleitamento materno, gravidez precoce, DST (incluindo a AIDS).
• Grupo de Crianças e Adolescentes: Formado , inicialmente, por representantes dos grupos participantes do III Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua.
• Informática e Cidadania Palmares: Implementada para promover a inclusão digital, capacita pessoas e cria condições para formação direcionada e participativa que funciona como suporte às exigências do mundo do trabalho que tem, atualmente, solicitado o conhecimento em informática.
• Desenvolvimento Comunitário: Mobilização, organização e formação de lideranças locais para o enfrentamento de problemas sociais de forma organizada e estratégica.
• Desenvolvimento Econômico: Implantação de bancos comunitários. Formação para trabalhadores e trabalhadoras. Ações e grupos produtivos de economia solidária.
• Desenvolvimento de Lideranças: Adolescentes e jovens protagonistas e adultos ajudando na construção de uma cultura de paz;
• Desenvolvimento Espiritual: Proporcionar as famílias motivação para vivenciar valores que fortalecem a fé e a paz na comunidade;
• Serviço ao Cliente - Acompanha de forma sistemática o público atendido, seus familiares e o monitoramento de suas participações nas atividades da organização, e da comunidade;
• Gestão de Projetos: Setor especifica para elaborar propostas e captar recursos.
Direitos Humanos: Participação e integração de grupos em fóruns municipais, estaduais e nacionais. Intervenção prepositiva em políticas públicas, através dos conselhos de direitos.
Atualmente a Associação está desenvolvendo um projeto, o Novas Tendência Estéticas Afro-brasileira que tem como objetivo criar e manter um espaço comunitário e lúdico de pesquisa, produção e serviços em estética afro-brasileira reorientando os “olhares” sobre a identidade e que seja pólo de resistência desta identidade, ao tempo que promove trabalho e renda para a juventude local. Como foi o que mais chamou atenção na visita e por está na área de atuação do curso falarei um pouco sobre ele.
O Projeto Nova Tendências Estéticas Afro-brasileira, realizado pela Associação com o apoio do Criança Esperança, confirmando-se como o quilombo, a aldeia onde a juventude de Itapagipe continua a resistir contra a ocidentalização e seus estereótipos, equívocos e preconceitos, é o local onde a manutenção das tradições, da ancestralidade e o enfrentamento ao racismo, à negação da cor e da beleza de ser negro, negra, indígena, cabocla/a. A proposta é fundamentada em áreas como cultura, inclusão social, principalmente o acesso aos bens culturais, às novas tecnologias e ao mundo do trabalho. O Nova Tendências como pólo catalisador dos anseios, sonhos e desejos dos meninos e meninas em condição de vulnerabilidade social e expostas à discriminação racial trazendo para o dialogo sobre a ética, sobre os valores estéticos, sobre a origem, sobre a raça, etnia e gênero, é um fato. Precisa, agora, unir os saberes internalizados com a prática, com bandeiras de luta, com a geração de trabalho e renda.
O exercício da cidadania, a reflexão continua sobre a cultura afro-brasileira e sobre a questão sócia racial, faz articulação dos resultados das oficinas lúdicas e o discutido na área de desenvolvimento pessoal e social, culmina com uma tendência própria onde a estética equivale a valores, a “olhares” críticos, a comportamentos e não a um simples visual. É, sobretudo, a tomada de consciência de si, da identidade, da história e da realidade, faz com que os adolescentes e jovens além de terem apreendido novas técnicas, estão com mais consciência do que é ser negro, negra, cabocla/o, indígena representantes de um povo, de uma cultura, de uma identidade.
A necessidade de empoderamento intelectual e especifico da adolescência e da juventude local para o desafio de conhecer, assimilar, planejar e lutar por políticas públicas reparatórias e de promoção da igualdade racial, da equidade de gênero, de formas de proteção dos direitos do individuo brasileiro, baiano, nordestino e itapagipano logo, o re-encontro do menino e da menina com suas origens, possibilitam a releitura do que é apresentado e o fazem como referencia a raça e a luta que já perdura por mais de 300 anos.
• Saúde: Atenção primária à saúde infanto-juvenil. Controle nutricional.
• Educação: Viabilização do acesso das crianças ao Ensino Fundamental e a Educação Infantil. Aula de reforço escolar. Alfabetização de jovens e adultos. Capacitação de ed Educação e Saúde da Mulher: Funciona no Posto de Saúde, trabalhando com mulheres do Uruguai e adjacências temas como :aleitamento materno, gravidez precoce, DST (incluindo a AIDS).
• Grupo de Crianças e Adolescentes: Formado , inicialmente, por representantes dos grupos participantes do III Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua.
• Informática e Cidadania Palmares: Implementada para promover a inclusão digital, capacita pessoas e cria condições para formação direcionada e participativa que funciona como suporte às exigências do mundo do trabalho que tem, atualmente, solicitado o conhecimento em informática.
• Desenvolvimento Comunitário: Mobilização, organização e formação de lideranças locais para o enfrentamento de problemas sociais de forma organizada e estratégica.
• Desenvolvimento Econômico: Implantação de bancos comunitários. Formação para trabalhadores e trabalhadoras. Ações e grupos produtivos de economia solidária.
• Desenvolvimento de Lideranças: Adolescentes e jovens protagonistas e adultos ajudando na construção de uma cultura de paz;
• Desenvolvimento Espiritual: Proporcionar as famílias motivação para vivenciar valores que fortalecem a fé e a paz na comunidade;
• Serviço ao Cliente - Acompanha de forma sistemática o público atendido, seus familiares e o monitoramento de suas participações nas atividades da organização, e da comunidade;
• Gestão de Projetos: Setor especifica para elaborar propostas e captar recursos.
Direitos Humanos: Participação e integração de grupos em fóruns municipais, estaduais e nacionais. Intervenção prepositiva em políticas públicas, através dos conselhos de direitos.
Atualmente a Associação está desenvolvendo um projeto, o Novas Tendência Estéticas Afro-brasileira que tem como objetivo criar e manter um espaço comunitário e lúdico de pesquisa, produção e serviços em estética afro-brasileira reorientando os “olhares” sobre a identidade e que seja pólo de resistência desta identidade, ao tempo que promove trabalho e renda para a juventude local. Como foi o que mais chamou atenção na visita e por está na área de atuação do curso falarei um pouco sobre ele.
O Projeto Nova Tendências Estéticas Afro-brasileira, realizado pela Associação com o apoio do Criança Esperança, confirmando-se como o quilombo, a aldeia onde a juventude de Itapagipe continua a resistir contra a ocidentalização e seus estereótipos, equívocos e preconceitos, é o local onde a manutenção das tradições, da ancestralidade e o enfrentamento ao racismo, à negação da cor e da beleza de ser negro, negra, indígena, cabocla/a. A proposta é fundamentada em áreas como cultura, inclusão social, principalmente o acesso aos bens culturais, às novas tecnologias e ao mundo do trabalho. O Nova Tendências como pólo catalisador dos anseios, sonhos e desejos dos meninos e meninas em condição de vulnerabilidade social e expostas à discriminação racial trazendo para o dialogo sobre a ética, sobre os valores estéticos, sobre a origem, sobre a raça, etnia e gênero, é um fato. Precisa, agora, unir os saberes internalizados com a prática, com bandeiras de luta, com a geração de trabalho e renda.
O exercício da cidadania, a reflexão continua sobre a cultura afro-brasileira e sobre a questão sócia racial, faz articulação dos resultados das oficinas lúdicas e o discutido na área de desenvolvimento pessoal e social, culmina com uma tendência própria onde a estética equivale a valores, a “olhares” críticos, a comportamentos e não a um simples visual. É, sobretudo, a tomada de consciência de si, da identidade, da história e da realidade, faz com que os adolescentes e jovens além de terem apreendido novas técnicas, estão com mais consciência do que é ser negro, negra, cabocla/o, indígena representantes de um povo, de uma cultura, de uma identidade.
A necessidade de empoderamento intelectual e especifico da adolescência e da juventude local para o desafio de conhecer, assimilar, planejar e lutar por políticas públicas reparatórias e de promoção da igualdade racial, da equidade de gênero, de formas de proteção dos direitos do individuo brasileiro, baiano, nordestino e itapagipano logo, o re-encontro do menino e da menina com suas origens, possibilitam a releitura do que é apresentado e o fazem como referencia a raça e a luta que já perdura por mais de 300 anos.
O processo de Aquisição do conhecimento
Mariselma Bonfim
Ao passar a atividade sobre a construção do conhecimento a professora josely Muniz me fez refletir sobre a minha profissão, como foi à busca para me tornar no que sou hoje, como nos formamos seres humanos e nos constituímos como educadores. Como foi difícil definir um caminho certo a seguir, resolvi primeiramente fazer uma análise do meu entendimento sobre processo de construção do conhecimento.
Na formação da construção do conhecimento, a ação existe sempre em todas as especificidades. O que muda é sua qualidade, sua organização, e seu funcionamento. O sujeito percebe, organiza, concebe, conceitua, discrimina, em seguida de modo simbólico, pré-conceitual, pré-operatório, operatório. Assim, durante o estágio sensório-motor o sujeito concebe o objeto por imitação e depois pela a reprodução diferida. Durante o estágio simbólico, a concepção se faz pelos jogos simbólicos. Se há dificuldades de aprendizagem, porém, deve-se precisar em que nível de ação, de interação até mesmo, elas se estabelecem. Por que há momentos na vida que são de aprender, e outros de desaprender para re-aprender. Com certeza, este é um momento de olhar para as características do individuo no momento da construção do conhecimento, possibilitando-lhe vivências adequadas à sua realidade e ao seu desempenho no processo de aprendizagem. Todas as diferentes dimensões do ser se articulam em uma totalidade que possibilita a construção do conhecimento e, por seu caráter estruturante e totalizador, a construção do próprio sujeito cognoscente. Construir conhecimentos é uma arte que requer cuidado, pois necessita de uma analise profunda do entendimento do homem. Entende-se conhecimento como aquele gerado por um sujeito que tenha uma consciência cognitiva, ou seja o sujeito cognoscente. O conhecimento é concebido por seu conteúdo e pelo encanto de suas possibilidades quando em contato com a aprendizagem humana.
A educação escolar tem sido discutida muito em muitas áreas do conhecimento. Nesta analise educacional sobre a construção do conhecimento histórico farei algumas considerações diante desse amplo tema. Este século nos coloca mais do que nunca, a necessidade de que a educação trabalhe a formação ética e plural dos alunos. Estamos diante de uma reflexão educacional na qual almejamos encontrar melhores condições para o profissional e para quem busca na escola uma educação, compromissada com a sociedade em que atua. É na luta reivindicatória dos movimentos sociais e populares pela democratização da cultura, e por suas possibilidades de acesso aos diferentes espaços de poder e de decisão, tanto na sociedade como no Estado. Esta Analise implica considerar os processos e mecanismos pelos qual o novo processo (As novas tecnologias), em qual no final dos anos 1985 e 2000, se converte em um contexto cultural, social e histórico concreto para a educação. À escola e ao professor não cabe mais a função de transmissão de conhecimento, segundo Freire o individuo se apropria do conhecimento e passa a ser o sujeito da historia já que essa apropriação de dá-se a partir do universo do homem. Caberia, sim, a escola e ao professor a função de possibilitar o conhecimento usando as múltiplas e variadas modalidades de informação já disponíveis, as novas tecnologias, recomendadas tanto para o educador quanto para o educando.
Minha construção do conhecimento nesse processo de ensino-aprendizagem deu-se no antigo ensino do primeiro, segundo e terceiro grau em uma escola estadual. Hoje percebo nessa analise o quanto fomos treinados e cobrados sob formação conteúdista. A formação humana muitas vezes é construída fora da escola, em casa, ou seja, com a família e o meio social.
Lembro-me que aprendi minhas primeiras letras com minha irmã em casa, Que estava seguindo os passos de pesquisadores renomados, tais como, Emilia Ferreiro, Magda Soares, Ana Teberosky, e do próprio Paulo Freire que refletira a respeito da importância da cultura e escrita do sujeito porque para ele Alfabetizar vai além do restrito espaço da sala de aula, vai no reconhecer que o povo tem um saber, ainda que parcial e fragmentado. Ele continua em Pedagogia do Oprimido escrito em 1968 quando esteve em Santiago do Chile, que o saber das classes populares esta incluído no “Universo temático” em que os seres humanos vivem em cada época. Se essa época fosse hoje diária que o tema seria o da libertação.
Nas escolas em que fui matriculada estudei mais deveres do que direitos para saber viver em uma sociedade capitalista competitiva e exploradora, sem esquecer de toda discriminação que passei em ser primeiramente negra e segundo mulher e um país cheio de preconceitos.
Nas classes em que estudei a nossa percepção ( minha e dos colegas) estava voltada a estudar para passar e se possível tornar-se um bom profissional em uma determinada área. Sendo que a integração dos alunos na sala e para com a comunidade em que pertencíamos não foi trabalhada, os professores esqueceram disso ou talvez nem soubessem o que era isso. Penso que seria importante na comunidade escolar à inserção de todos os indivíduos que compõem a organização do mesmo. Na forma de compromisso de ambas as partes, instituição e sociedade, em promover a verdadeira educação democrática rumo ao desenvolvimento mais social do que o econômico. Precisamos rever o papel da escola através da educação que ela esta destinada a proporcionar á seus educandos. Seu papel deve ser relacionado à que tipos de cidadão querem e precisam na sociedade. Um cidadão solidário ou individualista incapaz de ajudar seus irmãos.
Meu Sonho como estudante de uma escola publica era que não houvesse uma sociedade com divisões de classes, onde todos pudessem participar da construção da educação, então seguindo os idéias de Mark entre para um movimento estudantil e um partido político, onde poderia como dizia o próprio Mark participar do processo de “libertação” com as revoluções sociais daquela época, ou seguindo o pensamento de Freire (1974,p.111) requerer “a superação das “situações-limites” em que o homem se encontra”. Nessa participação percebi que estava buscando o lado errado da construção educação. Por isso quis ser uma educadora, como também para que com meus alunos enxergar neles exemplos positivos na construção do conhecimento, que percebessem suas potencialidades, suas virtudes e seus valores e que se percebessem como co-autores dessa construção. E foi na criança que coloquei toda minha esperança, pois, ela sim é nosso futuro, É foi pensando nessa criança que procurei diversos pensadores que a conhecia melhor do que eu. Entrem os muitos que estudei citarei (LIMA, 1996, p.63), que afirma “A criança, ao longo do seu desenvolvimento, vem fazendo várias leituras do mundo ” Aqui ele trata-se de uma leitura num sentido amplo onde desde cedo ela necessita vivenciar, experimentar, para compreender as situações reais. Trarei também Soares que diz que a criança sentirá a necessidade de decifrar o mundo através da leitura. Para que isso seja realmente possível devem-se criar oportunidades para que a criança manifeste sua necessidade de compreender e expressar suas idéias através do pensamento e da ampliação do vocabulário, e por fim trago novamente Freire que em sua tendência libertadora diz que o educando deixa de ser objeto deposito de informações e passa a analisar suas realidades, seus conhecimento e discuti com seus pares a possibilidades de mudanças.
Desejo que no futuro bem próximo a educação tenha a qualidade que não é vista hoje e que seja universalizada, onde todos tenham acesso, independente de raça, idade, gênero, etnia ou nível social e também que essa criança na qual acredito hoje tenha a oportunidade de mostrar suas potencialidades quanto participante dela.
Retornando ao meu processo de construção Depois de muito estudar e tentar compreender a criança, resolvi trabalhar diretamente com ela e com 15 anos de idade eu me tornei educadora de uma turma de educação infantil e lá presenciei toda sua etapa de construção do conhecimento que segundo afirma Soares (2003), foram no contexto das grandes transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas que a criança aprende ampliando o sentido do “letramento”. E junto com essa turma fui também construindo meu saber educacional que futuramente me daria o direito de ser chamada de alfabetizadora, pois como na Alfabetização a criança adquire o domínio de um código e das habilidades de uma língua com o fim de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja, o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita, eu estava adquirindo meu domínio como educadora popular.
Infelizmente aqui no Brasil como em outras partes do mundo os saberes só são reconhecido quando se passa pela academia então resolvi alcançar mais essa meta., bem que para isso tive que passar por uma educação mais mormalista e para isso escolhi uma escola publica que mesmo com todos os problemas educacionais que foi citado no inicio desta analise ainda conseguia ser a melhor escola que formava professor aqui na Bahia mesmo com seu mais tradicionalismo , o Instituto de educação Isaias Alves- ICEIA. Lá conheci outros renomados pesquisadores, tais como Piaget, Sonia Krammer, Cipriano Luckesi, Jussara Hoffman, Tfouni, dentre outros, que contribuíram para a construção do meu conhecimento. Com eles pude refletir a respeito da importância do que é educar, saber, conhecer e aprender, e digo que aprendi muito com meus alunos. Mas tarde apois 4 anos de muita experiência e aprendizagem a Pedagogia surgiu na minha vida, não como uma paixão, mas sim como um meio de conseguir alcançar meus objetivos, pois meu grande sonho era me graduar em história, conhecer mais o por quê de tantas coisa aconterem na área educacional do mundo . Depois de anos tentado passar na universidade em história, resolvo tentar pedagogia e passo entre as 10 primeiras. Estudar Pedagogia no inicio foi difícil, pois teve que argumentar com professores que os pensamentos diferenciavam dos meus, que muitas vezes me fizeram desvia das minhas convicções, mas essas foram as primeiras dificuldades à serem superadas dentro da academia as outras foram, conflitos entre o meu pensar e dos pensadores que eu estava estudando a falta de sensibilidade de alguns professores e colegas, a não socialização entre academia e comunidade. Penso que na vida a gente aprende a cada momento, sendo assim o meu caminho só está começando e a construção do meu conhecimento também, tenho ainda bastante caminho a seguir, e muitos desafios que me levaram a seguir sempre em frente.
REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação / Maria Lúcia de Arruda Aranha. 2. ed. rev. e ampl.- São Paulo. Moderna, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido, 6 ed.Rio de Janeiro, Paz e Terra 1974.106,110,111p
FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. Tradução de Horácio Gonzáles, 24ª. Ed., São Paulo, Cortez, 2001, 104p.
FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese a Língua Escrita. Tradução por Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Título original: Los Sistemas de Escritura em el Desarrollo del Niño. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985b. 284 p.
HOFFMAN, Jussara – Avaliação na Pré-escola –Editora Mediação.
Concepções de linguagem e escrita ... Avaliação Mediadora - Hoffmam, Jussara, - Editora Mediação; 1985
KRAMER, Sonia. Alfabetização Leitura e Escrita: Formação de professores em curso. São Paulo: Ática, 2001.
KRAMER, Sonia (coord.). Com a pré-escola nas mãos. Uma alternativa curricular para a educação infantil. São Paulo: Ática, 1991.
KRAMER, Sonia. “Questões raciais em educação. Entre lembranças e reflexões”, In: Cadernos de Pesquisa. SP: Fundação Carlos Chagas, n º93, maio/95.
KLEIMAN, Ângela B. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995.
LIMA, Adriana Flávia S. O. Pré-escola e alfabetização, uma proposta baseada em P. Freire e J. Piaget. 9ª ed. Petrópolis: Vozes, 1996.
LIMA, E. S. Quando a criança não aprende a ler e a escrever. São Paulo: Sobradinho 107, 2002.
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 1995.
LUCKESI, Cipriano Carlos e PASSOS, Elizete Silva. Introdução à filosofia: aprendendo a pensar. 5ª. Ed., São Paulo, Cortez, 2004, 271p.
______________. O Passado e o Presente dos Professores. In: NÓVOA, A. (org.). Profissão Professor. 2. ed. Porto: Porto Editora, 1995.
______________ . In: CANÁRIO, Rui. Educação de Adultos: um campo e uma problemática Prefácio. Lisboa: EDUCA, 1999, p.3-8. (EDUCA - Formação,
PIAGET, Jean. A equilibração das estruturas cognitivas: problema central ao desenvolvimento. Rio de Janeiro: Zahar,1976.
Ao passar a atividade sobre a construção do conhecimento a professora josely Muniz me fez refletir sobre a minha profissão, como foi à busca para me tornar no que sou hoje, como nos formamos seres humanos e nos constituímos como educadores. Como foi difícil definir um caminho certo a seguir, resolvi primeiramente fazer uma análise do meu entendimento sobre processo de construção do conhecimento.
Na formação da construção do conhecimento, a ação existe sempre em todas as especificidades. O que muda é sua qualidade, sua organização, e seu funcionamento. O sujeito percebe, organiza, concebe, conceitua, discrimina, em seguida de modo simbólico, pré-conceitual, pré-operatório, operatório. Assim, durante o estágio sensório-motor o sujeito concebe o objeto por imitação e depois pela a reprodução diferida. Durante o estágio simbólico, a concepção se faz pelos jogos simbólicos. Se há dificuldades de aprendizagem, porém, deve-se precisar em que nível de ação, de interação até mesmo, elas se estabelecem. Por que há momentos na vida que são de aprender, e outros de desaprender para re-aprender. Com certeza, este é um momento de olhar para as características do individuo no momento da construção do conhecimento, possibilitando-lhe vivências adequadas à sua realidade e ao seu desempenho no processo de aprendizagem. Todas as diferentes dimensões do ser se articulam em uma totalidade que possibilita a construção do conhecimento e, por seu caráter estruturante e totalizador, a construção do próprio sujeito cognoscente. Construir conhecimentos é uma arte que requer cuidado, pois necessita de uma analise profunda do entendimento do homem. Entende-se conhecimento como aquele gerado por um sujeito que tenha uma consciência cognitiva, ou seja o sujeito cognoscente. O conhecimento é concebido por seu conteúdo e pelo encanto de suas possibilidades quando em contato com a aprendizagem humana.
A educação escolar tem sido discutida muito em muitas áreas do conhecimento. Nesta analise educacional sobre a construção do conhecimento histórico farei algumas considerações diante desse amplo tema. Este século nos coloca mais do que nunca, a necessidade de que a educação trabalhe a formação ética e plural dos alunos. Estamos diante de uma reflexão educacional na qual almejamos encontrar melhores condições para o profissional e para quem busca na escola uma educação, compromissada com a sociedade em que atua. É na luta reivindicatória dos movimentos sociais e populares pela democratização da cultura, e por suas possibilidades de acesso aos diferentes espaços de poder e de decisão, tanto na sociedade como no Estado. Esta Analise implica considerar os processos e mecanismos pelos qual o novo processo (As novas tecnologias), em qual no final dos anos 1985 e 2000, se converte em um contexto cultural, social e histórico concreto para a educação. À escola e ao professor não cabe mais a função de transmissão de conhecimento, segundo Freire o individuo se apropria do conhecimento e passa a ser o sujeito da historia já que essa apropriação de dá-se a partir do universo do homem. Caberia, sim, a escola e ao professor a função de possibilitar o conhecimento usando as múltiplas e variadas modalidades de informação já disponíveis, as novas tecnologias, recomendadas tanto para o educador quanto para o educando.
Minha construção do conhecimento nesse processo de ensino-aprendizagem deu-se no antigo ensino do primeiro, segundo e terceiro grau em uma escola estadual. Hoje percebo nessa analise o quanto fomos treinados e cobrados sob formação conteúdista. A formação humana muitas vezes é construída fora da escola, em casa, ou seja, com a família e o meio social.
Lembro-me que aprendi minhas primeiras letras com minha irmã em casa, Que estava seguindo os passos de pesquisadores renomados, tais como, Emilia Ferreiro, Magda Soares, Ana Teberosky, e do próprio Paulo Freire que refletira a respeito da importância da cultura e escrita do sujeito porque para ele Alfabetizar vai além do restrito espaço da sala de aula, vai no reconhecer que o povo tem um saber, ainda que parcial e fragmentado. Ele continua em Pedagogia do Oprimido escrito em 1968 quando esteve em Santiago do Chile, que o saber das classes populares esta incluído no “Universo temático” em que os seres humanos vivem em cada época. Se essa época fosse hoje diária que o tema seria o da libertação.
Nas escolas em que fui matriculada estudei mais deveres do que direitos para saber viver em uma sociedade capitalista competitiva e exploradora, sem esquecer de toda discriminação que passei em ser primeiramente negra e segundo mulher e um país cheio de preconceitos.
Nas classes em que estudei a nossa percepção ( minha e dos colegas) estava voltada a estudar para passar e se possível tornar-se um bom profissional em uma determinada área. Sendo que a integração dos alunos na sala e para com a comunidade em que pertencíamos não foi trabalhada, os professores esqueceram disso ou talvez nem soubessem o que era isso. Penso que seria importante na comunidade escolar à inserção de todos os indivíduos que compõem a organização do mesmo. Na forma de compromisso de ambas as partes, instituição e sociedade, em promover a verdadeira educação democrática rumo ao desenvolvimento mais social do que o econômico. Precisamos rever o papel da escola através da educação que ela esta destinada a proporcionar á seus educandos. Seu papel deve ser relacionado à que tipos de cidadão querem e precisam na sociedade. Um cidadão solidário ou individualista incapaz de ajudar seus irmãos.
Meu Sonho como estudante de uma escola publica era que não houvesse uma sociedade com divisões de classes, onde todos pudessem participar da construção da educação, então seguindo os idéias de Mark entre para um movimento estudantil e um partido político, onde poderia como dizia o próprio Mark participar do processo de “libertação” com as revoluções sociais daquela época, ou seguindo o pensamento de Freire (1974,p.111) requerer “a superação das “situações-limites” em que o homem se encontra”. Nessa participação percebi que estava buscando o lado errado da construção educação. Por isso quis ser uma educadora, como também para que com meus alunos enxergar neles exemplos positivos na construção do conhecimento, que percebessem suas potencialidades, suas virtudes e seus valores e que se percebessem como co-autores dessa construção. E foi na criança que coloquei toda minha esperança, pois, ela sim é nosso futuro, É foi pensando nessa criança que procurei diversos pensadores que a conhecia melhor do que eu. Entrem os muitos que estudei citarei (LIMA, 1996, p.63), que afirma “A criança, ao longo do seu desenvolvimento, vem fazendo várias leituras do mundo ” Aqui ele trata-se de uma leitura num sentido amplo onde desde cedo ela necessita vivenciar, experimentar, para compreender as situações reais. Trarei também Soares que diz que a criança sentirá a necessidade de decifrar o mundo através da leitura. Para que isso seja realmente possível devem-se criar oportunidades para que a criança manifeste sua necessidade de compreender e expressar suas idéias através do pensamento e da ampliação do vocabulário, e por fim trago novamente Freire que em sua tendência libertadora diz que o educando deixa de ser objeto deposito de informações e passa a analisar suas realidades, seus conhecimento e discuti com seus pares a possibilidades de mudanças.
Desejo que no futuro bem próximo a educação tenha a qualidade que não é vista hoje e que seja universalizada, onde todos tenham acesso, independente de raça, idade, gênero, etnia ou nível social e também que essa criança na qual acredito hoje tenha a oportunidade de mostrar suas potencialidades quanto participante dela.
Retornando ao meu processo de construção Depois de muito estudar e tentar compreender a criança, resolvi trabalhar diretamente com ela e com 15 anos de idade eu me tornei educadora de uma turma de educação infantil e lá presenciei toda sua etapa de construção do conhecimento que segundo afirma Soares (2003), foram no contexto das grandes transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas que a criança aprende ampliando o sentido do “letramento”. E junto com essa turma fui também construindo meu saber educacional que futuramente me daria o direito de ser chamada de alfabetizadora, pois como na Alfabetização a criança adquire o domínio de um código e das habilidades de uma língua com o fim de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja, o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita, eu estava adquirindo meu domínio como educadora popular.
Infelizmente aqui no Brasil como em outras partes do mundo os saberes só são reconhecido quando se passa pela academia então resolvi alcançar mais essa meta., bem que para isso tive que passar por uma educação mais mormalista e para isso escolhi uma escola publica que mesmo com todos os problemas educacionais que foi citado no inicio desta analise ainda conseguia ser a melhor escola que formava professor aqui na Bahia mesmo com seu mais tradicionalismo , o Instituto de educação Isaias Alves- ICEIA. Lá conheci outros renomados pesquisadores, tais como Piaget, Sonia Krammer, Cipriano Luckesi, Jussara Hoffman, Tfouni, dentre outros, que contribuíram para a construção do meu conhecimento. Com eles pude refletir a respeito da importância do que é educar, saber, conhecer e aprender, e digo que aprendi muito com meus alunos. Mas tarde apois 4 anos de muita experiência e aprendizagem a Pedagogia surgiu na minha vida, não como uma paixão, mas sim como um meio de conseguir alcançar meus objetivos, pois meu grande sonho era me graduar em história, conhecer mais o por quê de tantas coisa aconterem na área educacional do mundo . Depois de anos tentado passar na universidade em história, resolvo tentar pedagogia e passo entre as 10 primeiras. Estudar Pedagogia no inicio foi difícil, pois teve que argumentar com professores que os pensamentos diferenciavam dos meus, que muitas vezes me fizeram desvia das minhas convicções, mas essas foram as primeiras dificuldades à serem superadas dentro da academia as outras foram, conflitos entre o meu pensar e dos pensadores que eu estava estudando a falta de sensibilidade de alguns professores e colegas, a não socialização entre academia e comunidade. Penso que na vida a gente aprende a cada momento, sendo assim o meu caminho só está começando e a construção do meu conhecimento também, tenho ainda bastante caminho a seguir, e muitos desafios que me levaram a seguir sempre em frente.
REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação / Maria Lúcia de Arruda Aranha. 2. ed. rev. e ampl.- São Paulo. Moderna, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido, 6 ed.Rio de Janeiro, Paz e Terra 1974.106,110,111p
FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. Tradução de Horácio Gonzáles, 24ª. Ed., São Paulo, Cortez, 2001, 104p.
FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese a Língua Escrita. Tradução por Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Marco e Mário Corso. Título original: Los Sistemas de Escritura em el Desarrollo del Niño. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985b. 284 p.
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KRAMER, Sonia. Alfabetização Leitura e Escrita: Formação de professores em curso. São Paulo: Ática, 2001.
KRAMER, Sonia (coord.). Com a pré-escola nas mãos. Uma alternativa curricular para a educação infantil. São Paulo: Ática, 1991.
KRAMER, Sonia. “Questões raciais em educação. Entre lembranças e reflexões”, In: Cadernos de Pesquisa. SP: Fundação Carlos Chagas, n º93, maio/95.
KLEIMAN, Ângela B. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas: Mercado de Letras, 1995.
LIMA, Adriana Flávia S. O. Pré-escola e alfabetização, uma proposta baseada em P. Freire e J. Piaget. 9ª ed. Petrópolis: Vozes, 1996.
LIMA, E. S. Quando a criança não aprende a ler e a escrever. São Paulo: Sobradinho 107, 2002.
LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 1995.
LUCKESI, Cipriano Carlos e PASSOS, Elizete Silva. Introdução à filosofia: aprendendo a pensar. 5ª. Ed., São Paulo, Cortez, 2004, 271p.
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______________ . In: CANÁRIO, Rui. Educação de Adultos: um campo e uma problemática Prefácio. Lisboa: EDUCA, 1999, p.3-8. (EDUCA - Formação,
PIAGET, Jean. A equilibração das estruturas cognitivas: problema central ao desenvolvimento. Rio de Janeiro: Zahar,1976.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA
Atualizado em 12 de setembro de 2008 às 10:46 Publicado em 12 de setembro de 2008 às 10:38
por CONCEIÇÃO LEMES
Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:'Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado'.Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do 'filósofo' e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu 'Norte' e 'Bíblia', esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!São Paulo, 11 de setembro de 2008Ana Maria Araújo Freire'.
por CONCEIÇÃO LEMES
Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:'Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado'.Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:'Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do 'filósofo' e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu 'Norte' e 'Bíblia', esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!São Paulo, 11 de setembro de 2008Ana Maria Araújo Freire'.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Somos o belo sexo.
Não precisamos usar gravata e podemos sentar de pernas cruzadas.
Se resolvermos exercer profissões predominantemente masculinas somos pioneiras - eles, gays...
Nossa inteligência é compatível com a de qualquer homem, e nossa aparência é melhor.
Se matarmos alguém, e provarmos que foi na TPM, é atenuante.
Nosso cérebro dá conta do mesmo serviço com 6 bilhões de neurônios a menos (ou seja,nossos neurônios são mais eficientes).
Somos capazes de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo.
Sempre sabemos onde estão as meias.
Mulher de presidente é primeira-dama; marido de presidenta é um zero à esquerda,mesmo que seja da direita.
Se casarmos com o herdeiro do trono, seremos rainhas; se um homem casa com a herdeira do trono, será o marido da rainha.
Se somos traídas, somos vítimas; se traímos, eles são cornos.
Somos a estrela no casamento. Somos nós que somos carregadas na noite de núpcias.
Somos nós que decidimos quanto à reprodução.
Sentimos o bebê mexendo.
Amamentamos.
As crianças sempre dizem mamãe primeiro.
Sempre estamos presentes no nascimento dos filhos.S
empre sabemos que o filho é nosso.
Temos 4 meses de licença maternidade.
Exame ginecológico é mais agradável que exame de próstata.
Alguém já ouviu falar em MUSO inspirador?
Não pagamos a conta. No máximo rachamos.
Não precisamos abrir potes de conserva, nem trocar lâmpadas.
Vivemos mais.Somos mais resistentes a dor e a infecções.
Temos menos problemas cardíacos.Suamos menos.
Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamadas de lésbicas.
Temos prioridades em botes salva-vidas.
Não investigamos barulhos suspeitos à noite.
Todo homem já apanhou de uma mulher, nem que tenha sido da mãe.
Somos mais sensíveis.
Mulheres que moram sós comem melhor.
Temos um Dia Internacional.
E, por último, fazemos tudo que um homem faz!
SOMOS MESMO MARAVILHOSAS..Sem sombra de dúvidas.
Se resolvermos exercer profissões predominantemente masculinas somos pioneiras - eles, gays...
Nossa inteligência é compatível com a de qualquer homem, e nossa aparência é melhor.
Se matarmos alguém, e provarmos que foi na TPM, é atenuante.
Nosso cérebro dá conta do mesmo serviço com 6 bilhões de neurônios a menos (ou seja,nossos neurônios são mais eficientes).
Somos capazes de prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo.
Sempre sabemos onde estão as meias.
Mulher de presidente é primeira-dama; marido de presidenta é um zero à esquerda,mesmo que seja da direita.
Se casarmos com o herdeiro do trono, seremos rainhas; se um homem casa com a herdeira do trono, será o marido da rainha.
Se somos traídas, somos vítimas; se traímos, eles são cornos.
Somos a estrela no casamento. Somos nós que somos carregadas na noite de núpcias.
Somos nós que decidimos quanto à reprodução.
Sentimos o bebê mexendo.
Amamentamos.
As crianças sempre dizem mamãe primeiro.
Sempre estamos presentes no nascimento dos filhos.S
empre sabemos que o filho é nosso.
Temos 4 meses de licença maternidade.
Exame ginecológico é mais agradável que exame de próstata.
Alguém já ouviu falar em MUSO inspirador?
Não pagamos a conta. No máximo rachamos.
Não precisamos abrir potes de conserva, nem trocar lâmpadas.
Vivemos mais.Somos mais resistentes a dor e a infecções.
Temos menos problemas cardíacos.Suamos menos.
Podemos dormir com uma amiga sem sermos chamadas de lésbicas.
Temos prioridades em botes salva-vidas.
Não investigamos barulhos suspeitos à noite.
Todo homem já apanhou de uma mulher, nem que tenha sido da mãe.
Somos mais sensíveis.
Mulheres que moram sós comem melhor.
Temos um Dia Internacional.
E, por último, fazemos tudo que um homem faz!
SOMOS MESMO MARAVILHOSAS..Sem sombra de dúvidas.
Jerônima Mesquita
No dia 30 de abril é a data de nascimento de Jerônima Mesquita, líder feminista que lutou pelos direitos da mulher no início do século 20. Mineira de Leopoldina, Jerônima nasceu em 1880. Estudou na Europa e, ao retornar ao Brasil, uniu-se a um grupo de mulheres que reivindicava o direito feminino ao voto. Em homenagem a ela, morta em 1972 no Rio de Janeiro, um grupo de feministas trabalhou para que sua data de nascimento se tornasse o dia em homenagem à mulher. A lei foi sancionada pelo então presidente João Figueiredo.
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